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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O que você pensa sobre atendimento integral da família aos doentes terminais de CA?

Bem, hoje o assunto é algo que muito me toca... O tratamento dado a pacientes terminais com câncer...

Nem sempre é fácil responder... ou porque a doença ainda não bateu em nossa porta ou penso que é muito difícil mesmo decidir ou melhor aceitar que não tem mais jeito e que cuidar do paciente é melhor do que tentar curar.... atentem cuidar quando não há mais a possibilidade de cura... É dificil a decisão: o CTI ou o quarto com o calor e carinho da família... É triste ver alguém morrer... é triste ver alguém a quem tanto amamos ir se apagando e a única coisa a fazer é segurar sua mão e dizer que está ali com ele(a)... Mas sabe, hoje, para mim, esta é a melhor opção.

Revista Veja On-line 2005
A ilusão da imortalidade, evidentemente, serve muito bem às famílias angustiadas por uma perda iminente. "Mesmo sabendo que mais uma transfusão de sangue ou outra temporada na UTI não irão salvar o paciente, as famílias não conseguem interromper o ciclo de tentativas de salvar-lhe a vida", diz o médico James Hallenbeck, professor da Universidade Stanford e autor do livro Palliative Care Perspectives (Perspectivas em Cuidados Paliativos). Convencidos de que os cuidados paliativos são um passo fundamental para o progresso da medicina, médicos de muitos países têm promovido uma autocrítica quanto à atuação da classe nas últimas décadas. Eles argumentam que tanto as famílias dos pacientes como os próprios médicos passaram a enxergar a morte como uma derrota, e não como um acontecimento natural da existência humana. "Nossa cultura perdeu o foco no bem-estar do paciente. Treinamos nossos médicos para ser guerreiros, ou sacerdotes, que negam a morte a todo custo", disse a VEJA o médico americano Ira Byock, autor do livro Dying Well: Peace and Possibilities at the End of Life(Morrendo Bem: Paz e Possibilidades no Final da Vida). Resume o oncologista carioca Dante Pagnoncelli, do Hospital São Lucas: "O médico brasileiro não é formado para atender quem vai morrer. Até o último dia do paciente ele encoraja o tratamento, mesmo sabendo que não há mais chance de vida".



Revista Época desta semana(17/08/08)... "A ENFERMARIA ENTRE A VIDA E A MORTE"
... A enfermaria entre a vida e a morte
Lá, eles respeitam o tempo de morrer. Lá, cuidar é mais importante que curar. Lá, todo dia eles respondem: prolongar a vida ou aceitar o fim?...







Faz 1 ano, decidimos ficar com minha sogra até seus momentos finais, sem que ela fosse para o CTI... Não me arrependo disso... Os 33 dias em que passei com ela naquele quarto, foram dolorosos mas, enriquecedores... verdadeiros dias de aprendizado... Espero meu marido e meus filhos tenham entendido a mensagem que nós duas demos à eles por aquela ocasião...

2 comentários:

  1. Navegando pela grande rede sem rumo com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes.
    No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura, da reflexão e enquanto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam. Pois o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos é o afeto e uma boa educação. Isso faz com que ela acredite na própria capacidade, seja feliz e tenha um preparo melhor para lidar com as dificuldades da vida. Nós professores temos a faca e o queijo na mão, temos conteúdo para isso. Dá trabalho sim, mas nada paga a sensação do dever cumprido, faz bem para a alma. VAMOS TODOS JUNTOS PELA EDUCAÇÃO NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR ! SIM, NÓS PODEMOS.
    Se gostar da minha proposta, siga-me.
    Peço que ao responder deixar sempre o link do blog, pois às vezes a mensagem entram com o link desabilitado ou como anônimo. Por causa disso fico sem ter como responder as pessoas.Os meus comentários também entram via e-mail, pois nem sempre a minha conexão me permite abrir as páginas: moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, creio que mais alto que as antenas, com isso a minha dificuldade de sinal do 3G. Espero que entenda quando não puder responder. O único barulho que escuto aqui é o som dos pássaros, grilos, micos...
    Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
    Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
    Saudações Florestais !

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  2. Esta tua postagem me emociona muito.
    Sabe, tive duas experiências fortes com o câncer em minha família.
    A primeira tinha 17 anos e tive uma prima com apenas 6 anos acometida por leucemia. E foi doloroso todo o processo, convivi com o desespero de minha prima (mãe da criança), praticamente transformá-la em outra pessoa. Senti e absorvi toda dor que percorreu cada um de nós e na insignificância de meus 17 anos, não entendia o que estavam fazendo com aquela criança.
    Que sofrimento! Por mim, ela iria para casa, brincaríamos, nós a amaríamos somente e viveríamos completamente tudo que pudéssemos.
    Isto não aconteceu e o tempo que nos restou, foi consumido em horários de visitas, rostinhos tristes e lágrimas.
    Ali, senti que se fosse comigo, iria querer estar com aqueles que eu pudesse amar e guardar em minha retina cada gesto que recebesse.
    Passados 30 anos, meu pai teve o diagnóstico de câncer cerebral. A situação foi pior, pois não tinha o convívio com ele e a opção de sua segunda esposa foi a de nada fazer para minimizar seu sofrimento e quando suas atividades motoras e intelectuais foram completamente danificadas, internou-o em um hospital.
    Eu queria tomar a atitude de levá-lo para casa, mas não tinha como fazê-lo, pois esta decisão deveria ser tomada por outros filhos também e o impasse aconteceu.
    Meu pai faleceu só e Deus ainda permitiu que eu conseguisse vê-lo, nesta mesma noite, entrando de madrugada no hospital. Consegui beijá-lo, falar em seu ouvido, acarinhar seu rosto e dizer que o amava mesmo na distância que nossas vidas determinaram.
    Sei que ele me ouviu, sei que ele sentiu menos dor e sei que ele se deixou levar.
    Deixei amanhecer o dia e voltei para Mangaratiba e quando entrei em casa, a notícia de seu falecimento já tinha chegado.
    Por estas vivências particulares, penso que o calor dos nossos afetos, são os braços que deveriam embalar nosso sono para outra viagem.

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